Há dias e dias!

Hoje foi o último dia de aulas para os alunos do 1º ciclo. Grande alegria na escola, os gaiatos andavam para lá divertidos, e apesar de o ruido que eles faziam pertubar imenso os meus alunos de pré-escolar que continuam em actividades por mais 2 semanas (ainda não me explicaram a razão pedagógica que justifique a necessidade de as crianças de pré-escolar terem num ano lectivo mais 4 semanas de actividade que os alunos do 1º ciclo) o dia foi tranquilo.

Foi tranquilo… O TANAS!

Quando regressei do almoço, ouço dizer que estavam miudos a atirar pedras aos carros estacionados na rua. Saio disparada da sala de professores em direcção ao local do crime.

Quando lá chego, pergunto: – Quem anda a atirar pedras aos carros?

Os miudos apontam na direcção de um aluno de 4º ano.

Pergunto-lhe directamente: – Tu andas a atirar pedras aos carros?

Resposta: – Eu não queria acertar nos carros, eu estava a atirar ao rapaz que está no passeio!

Mas que cabecinha é esta que pensa que ter acertado nos carros por ter falhado o rapaz, faz com que a gravidade do erro seja menor? Não se deu conta que com esta resposta cavou um buraco maior para se enterrar?

Digo-lhe: – Vem comigo!

Resposta enquanto tenta escapulir-se: – Não vou!

Seguro-o pelo braço: – Vens comigo e fazes o que eu te digo!

Resposta: – LARGA-ME!

Claro que não larguei, e apesar de o rapaz já ser um marmanjo, por mais que contorcesse não teve outro remédio se não acompanhar-me até o gabinete da Coordenadora, onde, claro, levou 2 ensaboadelas, 1 por ter andado a atirar pedras e a segunda por me ter desafiado. Posso não ser a sua professora, mas quer ele goste ou não, sou educadora naquela escola e não posso virar as costas a situações que coloquem em perigo crianças ou bens, nem posso ficar sem agir perante uma situação de um comportamento considerado desadequado.

E agora?

Vão responsabilizar a escola? Vão-me dizer que foi a “escola” que educou o miudo a ser agressivo para com os outros, a testar a autoridade dos docentes, a desobedecer às instruções dadas pelos adultos,…? Vão culpabilizar as auxiliares de não estarem a desempenhar correctamente a sua função de vigilantes dos intervalos? Estamos num País em que a Escola tem as costas largas, quando será que se atribui a responsabilidade de principais educadores às famílias em que se desenvolvem as crianças?

Com um pouco de sorte, segunda-feira, tenho os Papás deste miudo na escola, a reclamar junto da Coordenadora, o eu o ter repreendido. E a ameaçar espancar-me se eu ousar, mais alguma vez, chamar à atenção o seu “bijousinho”.

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